TOPONIMIA DE COJA

Um pouco de história

Coja, não tem nenhuma rua com nome feminino e apenas recebe o nome de uma instituição, ou uma colectividade, a Rua Filármónica «Pátria Nova». As restantes recebem nomes masculinos. Um outro pormenor curioso, é que apenas duas ruas têm nomes que se possam considerar universalistas, personalidades de projecção nacional: a Rua D. Ernesto Sena de Oliveira e a Rua Bissaya-Barreto. Em Coja, não existe, como em muitas povoações do nosso país, uma toponímia de datas ou factos históricos e não tem, igualmente, a presença de países estrangeiros (e.g. Rua do Brasil) ou de santos (e.g. São João).Assim, poder-se-á concluir que a toponímia cojense teve sempre a intenção de homenagear aqueles que estiveram directa e profundamente ligados à vila, ou a povoações muito próximas desta.

ABEL PEREIRA DO VALE

CP 3305-132

Natural de Tondela, onde nasceu a 2 de Abril de 1837. Cursou em Coimbra e foi juiz da Comarca de Arganil entre 1885 e 1888. Para além do desempenho da sua profissão, distinguiu-se como autor de diversos tratados jurídicos, destacando-se os "Comentários ao Código Penal". Faleceu em Coja a 1 de Agosto de 1926, onde se encontra sepultado. NOTA: Não confundir com o Desembargador Abel Pereira Cruz do Vale, filho deste epónimo, que faleceu em Outubro de 1941

ALBERTO MOURA PINTO

CP 3305-142

Nasceu em Coimbra a 5 de Abril de 1883, onde se licenciou em Direito, em 1904, desempenhando nessa cidade a sua actividade como advogado até 1908. Nesse ano é nomeado administrador do concelho de Arganil e em 1909 abandona esse cargo para ingressar na magistratura, tendo sido nomeado delegado do Procurador Régio em Miranda do Douro. Em 1910 dá-se a implantação da República, ano em que Moura Pinto era transferido para S. João da Pesqueira. Fez parte da Junta Central Revolucionária de Coimbra, Junta que fazia sentir a sua acção em Águeda, Oliveira do Hospital e Arganil, terra que nunca esqueceu desde 1908, altura em que foi administrador, cargo que voltaria a desempenhar depois da implantação da República. Foi delegado do procurador, agora da República, em Mangualde e Leiria e deputado às Constituintes de 1911, por Arganil, sendo reeleito, também por Arganil, nas legislativas seguintes. Sidónio Pais levava-o ao poder, convidando-o para titular do Ministério da Justiça e Cultos, pasta que ocupou desde 11 de Dezembro de 1917 a 7 de Março de 1918. Alberto de Moura Pinto foi uma figura marcante da vida política nacional no período pós implantação da República, como advogado, magistrado, deputado e ministro. Da sua carreira política destacam-se a alteração à Lei da Separação e a aproximação diplomática com o Vaticano, intervindo também nas comissões de legislação, caminhos de ferro, negócios eclesiásticos e obras públicas. Questões de ideologia levam Moura Pinto a deixar o país e exilar-se em Espanha, após uma conspiração datada de 1926. Em 1936 abandona aquele país e dirige-se para França, onde permaneceu até à invasão alemã de 1940, altura em que atravessou o Atlântico e se refugiou no Brasil, exercendo aí actividades ligadas ao comércio. Faleceu a 11 de Março de 1960 na sua Quinta dos Vales, na freguesia de Vila Cova de Alva, tendo sido sepultado no cemitério de Coja.

ANTÓNIO S CALINAS

CP 3305-120

De seu nome completo António dos Santos Calinas, nasceu em Coja a 1 de Março de 1899. Comerciante de profissão, destacou-se não pela sua actividade comercial, mas pela sua acção na canalização da água da Cabrieira para o abastecimento domiciliário da vila, juntamente com o Dr. Manuel Fernandes Costa. Foi o "homem de campo" nesta tarefa gigantesca, deixando a sua loja na Alta (onde também residia) entregue aos filhos para se dedicar de corpo e alma a esta obra. António S. Calinas foi, também, dirigente da Filarmónica Progresso Pátria Nova, Casa do Povo de Coja, membro da Junta de Freguesia, da Comissão de Culto, da Conferência de S. Vicente Paulo e, ainda, Juiz da Irmandade. Faleceu em 28 de Janeiro de 1961 e está sepultado em Coja.

BISSAYA BARRETO

CP 3305-121

Fernando Baeta Bissaya Barreto Rosa nasceu em Castanheira de Pera a 28 de Outubro de1886. Como aluno universitário frequentou, simultaneamente, as licenciaturas de Filosofia, Matemática e Medicina. Na licenciatura de Matemática faltaram-lhe duas cadeiras para se formar, nas duas restantes licenciou-se com 20 valores. Enquanto aluno universitário, participou no Movimento Académico de 1907 e personificou um incidente célebre quando, em 1908, na cerimónia para entrega do prémio ao aluno com mais de 18 valores, realizada na Sala dos Capelos, foi chamado a receber o galardão das mãos do Rei D. Manuel II. Ao invés de se dirigir ao monarca, manteve-se imóvel, respondendo não conhecer o rei. Este momento viria a demonstrar a posição republicana de Bissaya Barreto. Foi deputado à Constituinte pelo círculo da Figueira da Foz, fixando-se em Lisboa para cumprir o seu mandato. De 1915 a 1920 passa por todos os escalões da carreira de docente na Universidade de Coimbra. Professor, Médico, Cirurgião, eis algumas facetas deste vulto. Percursor da grande cirurgia e helioterapia, realizava entre 2500 a 3000 operações por ano. O seu nome liga-se a Sanatórios (Hospital Sanatório de Celas, para crianças e mulheres e Hospital Geral Central da Colónia Portuguesa do Brasil), Dispensários (Preventório de Penacova, Dispensário Central de Coimbra, e em Arganil, Cantanhede, Lousã, Montemor-o-Velho, Penacova, Góis, Penela e Poiares), a Obra de Protecção à Grávida e Defesa da Criança (onde se destacam as Casas da Criança, como é o caso da de Coja e num número aproximado a 20, o Ninho dos Pequenitos, entre muitas outras instituições), Obras de Higiene e Profilaxia Social (com dois Dispensários de Profilaxia de Doenças Venéreas de Coimbra), Obras de Educação (com incidência para a Escola de Enfermagem Bissaya Barreto), o Bairro Económico do Loreto, na Comunicação e Desporto (Campo de Aviação de Cernache), na Protecção aos Surdos (com o Centro de Recuperação em Bencanta), aos Cegos (o centro do Loreto), a Fundação que ostenta o seu nome e que foi fundada em 1958, os vários Hospitais (Sobral Cid, Rovisco Pais, Lorvão, Pediátrico e Maternidade B. Barreto (Coimbra), entre outros) são testemunhos de uma vasta obra. Colaborou em diversas revistas especializadas e publicou sete volumes de "Subsídios para a História". Foi agraciado com a Medalha de Ouro de Serviços Distintos, a Grã Cruz da Ordem de Cristo e com a Medalha de Mérito Relevante. Faleceu em Lisboa em 16 de Setembro de 1974. Está sepultado na sua terra natal.

ERNESTO SENA DE OLIVEIRA

CP 3305-145

Nasceu a 30 de Abril de 1892 na freguesia de Santa Luzia (Funchal-Madeira), frequentando o Seminário do Funchal entre 1905 e 1908, concluindo os seus estudos seminaristas em Santarém. O Colégio Português, em Roma, recebeu-o em 1912, sendo ordenado Presbítero em 1916. Até 1924 foi professor no Seminário de Santarém, fixando-se, em 1928, na capital, desempenhando várias actividades religiosas. A freguesia lisboeta do Sagrado Coração de Jesus recebe-o, como pároco, em 1928, mantendo-se naquela função até 1931, ano em que, a 26 de Maio, é designado Arcebispo pela Santa Sé. No período entre 1944 e 1948 ocupa o cargo de Bispo Residencial de Lamego, sendo posteriormente transferido para a Diocese de Coimbra, da qual tomou posse a 2 de Fevereiro de 1949, entrando em funções a 13 de Março do mesmo ano, sucedendo a D. António Antunes e antecedendo D. Frei Francisco Rendeiro. Como Arcebispo Bispo de Coimbra, dedicou uma atenção especial aos Seminários da Diocese, Coimbra e Figueira da Foz, promovendo o aumento das vocações. Ao seu nome liga-se a construção do actual Paço Episcopal (1961), do Colégio S. Teotónio (Coimbra) e da Casa de Repouso de Penacova, destinada ao Clero idoso e inválido. O Corpo Nacional de Escutas teve na sua pessoa um carinho muito particular, revelado na alegria de estar entre "escutas" no IX Acampamento Nacional, realizado em Coimbra em 1952, solicitando o CNE de forma especial para as cerimónias que se realizavam na Sé de Coimbra. Outros movimentos receberam o seu apoio, como a Acção Católica e o Movimento de Auto Construção. Obras como a União Católica de Industriais e Dirigentes do Trabalho, a Cozinha Económica, a Obra da Rua, a Casa dos Pobres e o Património dos Pobres tiveram neste Bispo um homem atento e dedicado, assim como os Institutos Seculares. Enquanto responsável pela Diocese incentivou a construção e reconstrução de templos. Resignou ao seu cargo a 12 de Agosto de 1967.

FAMÍLIA CARDOSO

CP 3305-146

Este é, sem dúvida, o epónimo mais difícil de retratar, dada a sua abrangência, diria mesmo abstracto no que se refere a um ou dois elementos da referida família. A iniciativa de dar o referido nome a esta rua partiu do Padre José Vicente, então pároco em Coja, que pretendia deste modo homenagear a bondade e generosidade da Família Cardoso. Na memória dos cojenses menos jovens ainda existe a imagem de José Duarte das Neves Cardoso, de Carlos Augusto das Neves Cardoso e de Paulina Figueiredo Cardoso, conhecida popularmente por D. Paulina, uma senhora que trabalhou muito pelas Conferências, em especial a feminina. Proprietários abastados, não se coibiam de distribuir alguns bens de consumo de que careciam os mais desfavorecidos, como era o caso do azeite. Embora escassos porque difíceis ou, diria mesmo, impossíveis de obter, aqui ficam alguns dados sobre este epónimo.

FRANCISCO DE ALMEIDA FILIPE

CP 3305-147

Nasceu em Vinhó (Vila Cova de Alva) em 25 de Novembro de 1895. A sua imagem ficará para sempre ligada à empresa que adquiriu, ao regressar dos Estados Unidos da América, onde esteve emigrado. Em 1929, a Empresa de Cerâmica da Carriça, fundada em Coja cinco anos antes, encontrava-se quase paralisada e em vias de dissolução, pela inexistência de investimentos necessários à sua continuação e desenvolvimento. Francisco Filipe, juntamente com os seus dois irmãos, José e Eduardo, adquire a cerâmica, colocando-a no plano de destaque que viria a abrir o caminho que hoje se associa ao seu nome, uma das maiores empresas do concelho e da região e meio principal de desenvolvimento sócio-económico de Coja, bem como a grande responsável pela fixação das gentes desta vila. Francisco de Almeida Filipe foi presidente da Junta de Freguesia de Coja, durante vários mandatos consecutivos. Empenhou-se pessoalmente na execução de diversos melhoramentos, estando o seu nome directamente ligado à construção nesta vila da Casa da Criança, para além da sua actuação em prol das terras e do concelho onde nasceu e viveu. Faleceu na Cerdeira a 17 de Fevereiro de 1989 e encontra-se sepultado na sua terra natal.

JOSÉ ALBANO OLIVEIRA

CP 3305-150

Terá nascido em Coja. Formado em Direito, ao seu nome atribuem-se dois momentos importantes da História recente de Coja: a fundação da Sociedade Filarmónica Progresso Pátria Nova, em 1 de Novembro de 1868 e também a destruição do pelourinho de Coja, que terá sido executada por um criado seu, cumprindo as ordens do patrão. Segundo conta o povo, José Albano de Oliveira terá considerado a existência daquele monumento como supérflua, após a extinção do concelho, em 1854. O seu nome encontra-se no catálogo da Exposição Universal de Paris, em 1867, como tendo enviado lãs para o evento referido. Também era um grande proprietário. Foi dono do terreno onde hoje se realiza o Mercado mensal, doado à Junta de Freguesia de Coja. Não foi possível apurar as datas de nascimento e falecimento deste epónimo, datas que se julgam do início e fim do século passado, respectivamente. Há, porém, a informação que terá sido sepultado no antigo cemitério, situado na parte Norte do adro da igreja. No actual cemitério de Coja não há vestígios da sua sepultura. A rua é popularmente designada por Rua Principal.

JOSÉ LUIS NUNES

CP 3305-151

Nasceu em Coja, a 31 de Julho de 1896. Esteve em França, onde cumpriu o serviço militar durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), comandando um pelotão da sua companhia no posto de sargento. Já em Lisboa estabeleceu-se como merceeiro, tendo grande projecção nesta profissão, mas que viria a abandonar para ingressar numa empresa petrolífera, acabando por se manter nos quadros da empresa até à sua reforma, vivendo em Viseu e nas Caldas da Rainha, antes de retornar à terra que o viu nascer. É em Coja que José Luis Nunes encontra as suas raízes e desenvolve actividades de extrema importância para a vila e para as suas gentes. A sua acção como presidente da Junta de Freguesia (1964-1972) com sede nesta vila destaca-se pelo empenhamento na defesa, inventariação e delimitação dos baldios da freguesia. Não menos relevante foi a sua acção enquanto elemento fundador dos Bombeiros Voluntários de Coja, tendo sido presidente da respectiva Comissão Organizadora, da qual também faziam parte Aloísio Jorge da Fonseca Leal, João Luís Quaresma Nunes, Manuel Gabriel Antunes e Marcolino António Almeida, integrando, também, os primeiros corpos gerentes, como Presidente da Assembleia Geral. Faleceu em Coja em 21 de Março de 1981 e encontra-se sepultado no cemitério local. O largo é popularmente designado por Largo do Outão

ANTÓNIO AUGUSTO CALINAS

CP 3305-112

António Augusto Calinas é natural de Coja, onde nasceu a 16 de Dezembro de 1928. Foi ordenado sacerdote em 15 de Agosto de 1952 e celebrou a sua primeira missa em Coja, a 31 de Agosto do mesmo ano. Durante 8 anos foi professor no Seminário de Buarcos. Paroquiou em Vila Nova de Anços e em Coja, onde foi responsável pelo posto de Telescola local. Para além da sua acção como sacerdote trabalhou na criação do Ciclo Preparatório, no Parque de Campismo, nas obras do Caneiro, no Bairro Social. Faleceu em Coja a 31 de Agosto de 1978 e está sepultado no cemitério local. O bairro é popularmente designado por Bairro das Ladeiras.

EGAS FAFES

CP 3305-144

D. Egas Fafes era Arcediago da Sé de Braga quando, em 1247, o Cabido da Sé de Coimbra o elegeu Bispo da Diocese, eleição confirmada em 15 de Dezembro de 1248 pelo Papa Inocêncio IV, sucedendo a D. Domingos (ou Mestre Domingos) e antecedendo D. Durando Pais. Em 1252 assistiu à sagração da igreja de Alcobaça. A 12 de Setembro de 1260 atribui o primeiro foral a Coja, um marco importante para a terra e que permitiu repovoar a vila após ter sido dada como "fogo morto". Em Maio de 1261 tomou parte no Concílio Nacional de Braga. Quatro anos mais tarde acompanhou o Bispo de Lisboa numa viagem a Roma, viagem destinada a solicitar, junto do Papa Urbano IV, a dispensa para o casamento canónico do rei D. Afonso III com D. Beatriz e a legitimação dos seus filhos nascidos entretanto. Na capital italiana o Pontífice nomeia-o Arcebispo de Compostela, em 18 de Dezembro de 1267. Não chegou, contudo, a tomar posse desse cargo pois faleceu em Montpellier (França) na viagem de regresso a Portugal, em 9 de Março de 1267. Os seus restos mortais foram trasladados para a Capela de Santa Clara, em Coimbra.

JOSÉ EDUARDO MENDES FERRÃO

CP 3305-152

Nasceu em Coja a 7 de Outubro de 1928. No ano de 1947 concluiu o Curso de Regente Agrícola, frequentando em 1947-48 o Curso Complementar na Escola de Regentes Agrícolas de Coimbra. Em 1948 matriculou-se no Instituto Superior de Agronomia, completando o respectivo curso em 1952-53. Foi Professor Catedrático do Instituto referido e Secretário de Estado da Agricultura, entre 1972 e 1974. Foi presidente da Comissão Nacional da F.A.O. e delegado permanente de Portugal junto da Comissão Europeia de Agricultura. Este cojense tem sido agraciado com diversos prémios e louvores pelo trabalho desenvolvido, com relevância para a Ordem do Infante (Grande Oficial), atribuída em 1995. Da sua vasta obra destacam-se estudos sobre as ex-colónias portuguesas de África. Teve acção determinante na oficialização dos Bombeiros Voluntários, na criação do Ciclo Preparatório e na construção do Aeródromo desta vila, para além dos cargos que ocupou na Liga Regional Cojense.

ADOLFO CORREIA DA FONSECA

CP 3305-119

Nasceu em Vilar Torpim (Figueira de Castelo Rodrigo) em 17 de Março de 1898. Licenciou-se em Medicina em 1926, pela Universidade de Coimbra. Depois de exercer clínica no Tramagal, fixou-se em Coja, onde foi médico durante quase três décadas. As suas convicções políticas, contrárias ao Estado Novo, fazem com que seja preso em Peniche. Faleceu em Coja a 30 de Outubro de 1967. Está sepultado no cemitério local. As suas convicções políticas, contrárias ao Estado Novo, fazem com que seja preso em Peniche. Faleceu em Coja a 30 de Outubro de 1967. Está sepultado no cemitério local.

ALBERTO DA MAIA E CRUZ DO VALE

CP 3305-118

Nasceu em Ponte de Lima a 14 de Dezembro de 1875. Formou-se em Medicina em Julho de 1899, na Escola Médica do Porto e exerceu a sua actividade em S. Pedro de Alva, Midões (entre 1900 e 1908), Coja, Cerdeira, Vila Cova de Alva, Avô, Benfeita, Barril de Alva, Pomares, Pinheiro de Coja, Piódão e, por vezes, em Fajão, Folques e Pampilhosa da Serra. Aposentou-se em Abril de 1936. Contribuiu para a electrificação das ruas da vila, na construção do posto de socorros e na Casa da Criança. Faleceu em Coimbra a 24 de Novembro de 1956 onde está sepultado. Popularmente, esta praça designa-se apenas por Praça.

ALBINO DE FIGUEIREDO

CP 3305-143

Albino d'Abranches Freire de Figueiredo nasceu a 5 de Abril de 1856, na cidade de Santarém, freguesia de Marvila. Era bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra, onde se formou em 1879. Iniciou a sua vida profissional em Arganil, primeiro como Administrador do Concelho, depois como presidente da Câmara Municipal. Foi eleito deputado por diversas vezes para a Câmara dos Deputados, pelo Partido Regenerador Liberal (de João Franco).

EDUARDO FRANCISCO FILIPE

CP 3305-000

Eduardo Francisco Filipe, nasceu em Vinhó a 31 de Janeiro de 1899. O seu nome liga-se à Empresa de Cerâmica da Carriça, da qual foi sócio-gerente e onde se destacou na divulgação e lançamento dos produtos "Carriça". Foi gerente da Casa de Modas Filipe, em Lisboa e, em 1951, torna-se o dono da Cerâmica Argus, em Taveiro (Coimbra). Em 1959 é eleito vogal efectivo da Junta Distrital de Coimbra e, anteriormente, da Junta de Província da Beira Litoral. Para além da sua faceta empresarial, há outras obras de carácter filantropo, como é o caso das suas contribuições para as Casas do Património dos Pobres e da construção da Casa da Criança de Coja, criada por sua iniciativa e para a qual contribuiu com a oferta de todo o material cerâmico necessário à sua edificação, obra que veio trazer à vila de Coja um importante serviço de assistência à infância, muito ansiado antes da sua existência. As crianças mereceram ainda a sua atenção em Vinhó e no Piódão, contribuindo com um fundo para as cantinas escolares dessas povoações. Criou, ainda, a Fundação Graça S. Filipe, uma instituição vocacionada para o auxílio aos idosos, em Bencanta. Foi Presidente da Direcção da Casa da Comarca de Arganil e da primeira direcção da Casa do Concelho de Arganil, em Lisboa. Em 1960 foi agraciado com a Comenda da Ordem da Instrução Pública. Faleceu em Coimbra a 11 de Setembro de 1985 e encontra-se sepultado no Cemitério da Conchada, na mesma cidade

FERNANDO VALLE

CP 3305-115

Fernando Baeta Cardoso do Valle nasceu na Cerdeira em 30 de Julho de 1900. Em 1927 forma-se em Medicina na Universidade de Coimbra sendo colocado em Arganil onde exerceu, durante muitos anos, a profissão de médico e de director clínico do Hospital Condessa das Canas. As suas convicções de democracia, liberdade, esquerdistas e socialistas levam-no a aproximar-se de alguns dos mais destacados oposicionistas ao regime político saído da revolução de 28 de Maio de 1926, tendo sido um dos fundadores do Partido Socialista, no célebre congresso de 1973, na Alemanha. Estas mesmas convicções resultariam, em 1962, na sua prisão durante alguns meses, no Aljube. Após o 25 de Abril de 1974 ocupou o cargo de presidente da Comissão Administrativa do município arganilense. De 1976 a 1980 foi Governador Civil de Coimbra. Faleceu no dia 26 de Novembro de 2004, em Coimbra, tendo sido sepultado em Coja, no dia seguinte. A rua é popularmente designada por Estrada do Vale

FILARMÓNICA PÁTRIA NOVA

CP 3305-126

A Filarmónica de Coja, carinhosamente chamada de "Música" é a colectividade mais antiga da vila. A sua história, principalmente do período inicial, ainda está muito escondida. Sabe-se, através do relato oral que foi fundada em 1 de Novembro de 1868. Dr. José Albano de Oliveira e Padre Simões são nomes apontados como fundadores. O Padre Simões poderá terá sido além do fundador, o primeiro regente da banda, tendo comprado o primeiro instrumental, que foi depois herdado pelo seu sobrinho, José da Costa Marques, o qual o ofertaria à Filarmónica a pedido de José Gabriel, de Vila Cova de Alva. Após a morte do Padre Simões, a música terá entrado num período difícil, ultrapassado pelo empenho do Dr. Alberto do Vale e de Benjamim Fernandes Neves Tavares, notário de Coja, que viria a personificar um dos episódios mais sui generis da Filarmónica, ao colocar na escritura que oficializaria a banda a, data de 31 de Abril de 1911. Esta escritura é o documento mais antigo que se conhece da "música" de Coja, embora não tenha validade devido à incorrecção da data. Nesta escritura, a Filarmónica aparece apenas com a designação de "Pátria Nova". A designação "Progresso Pátria Nova" terá sido atribuída por força da mudança de regime (implantaç��o da República), embora também haja quem defenda a origem do nome determinada pela ideologia política do Dr. José Albano de Oliveira. A regência da filarmónica passa por vários nomes, que mesmo não estando correctos cronologicamente, será justo relembrar: Eduardo Marques de Oliveira (falecido em 1918 e que foi o primeiro mestre da filarmónica, neste período), José Carvalho, Joaquim Bento de Oliveira, José das Neves Correia, António das Neves Correia, entre outros. Sem sede própria, a vida da Filarmónica foi de mudança constante. Esteve sediada na Casa de Santa Clara, numa casa junto à Ponte do Senhor, na Casa do Povo e hoje na Casa da Cultura (antiga escola primária). A direcção da Filarmónica propõe, em 1972, a criação de uma escola de música, devido à falta de executantes, escola que viria a iniciar a sua actividade ainda esse ano, com 15 alunos. Esta escola de música estava instalada na Biblioteca D. José Alves Matoso. Finalmente, o reconhecimento e escritura notarial só se efectuaria em 1985, a 26 de Fevereiro desse ano,escritura onde se declarou que a Filarmónica já exercia uma actividade contínua desde o dia 1 de Novembro de 1868, embora ainda não fosse encontrado nenhum documento escrito da época que comprovasse esta data, a qual vai passando de boca em boca. A Associação Filarmónica Progresso Pátria Nova de Coja é oficializada pelo Diário da República, III Série, nº 74, de 29 de Março de 1985, sendo considerada como uma instituição com o objectivo da actividade musical, cultural e recreativa. Adquire o estatuto de Instituição de Utilidade Pública em 1994 por despacho de 26 de Setembro desse ano, publicado em Diário da República, II Série de 13 de Outubro. A rua é, popularmente, designada por Rua de Baixo.

JOSÉ BERNARDO MOUSINHO

CP 3305-116

José Bernardo Mousinho ou José Mousinho de Brito é natural de Coja, onde nasceu em 1876 (?). Funcionário da Alfândega de Lisboa, ali viveu muitos anos e dedicou-se de corpo e alma ao regionalismo. Em 4 de Janeiro de 1927 foi fundador da Sociedade de Assistência Cojense (colectividade que viria, dois anos mais tarde, a juntar-se à Comissão de Melhoramentos da Freguesia de Coja que se manteve até 1939, passando definitivamente a Liga Regional Cojense). A sua dedicação ao regionalismo era bem patente na forma como tentava angariar sócios para a Liga Regional Cojense aquando das suas estadias em Coja. Foi presidente desta colectividade, por várias vezes e seu presidente honorário. Faleceu em Lisboa a 4 de Agosto de 1960. Está sepultado no Cemitério do Alto de S. João (em Lisboa). O largo é popularmente designado por Largo do Pombal.

JOÃO GONÇALVES MATOSO

CP 3305-149

João Gonçalves Matoso pertence à família Matoso, do Pisão, onde instituiu diversos prémios de distinção aos melhores alunos na escola primária local. Cabouqueiro do CADC, contribuiu para obras no Pisão e em Coja: residência paroquial, Igreja Matriz, Biblioteca D. José Alves Matoso, Casa da Criança, bombeiros e, ainda, Hospital de Arganil. Da sua vida pouco se sabe, apenas que emigrou para o Brasil, vivendo em S. Paulo, Rio de Janeiro e Teresópolis, desconhecendo-se quando e onde faleceu.

MANUEL JOSÉ FERNANDES COSTA

CP 3305-117

Natural de Foz de Arouce, onde nasceu a 25 de Fevereiro de 1870. A placa colocada na fonte da Praça Dr. Alberto do Vale onde se inscreve "Obra comparticipada pelo Estado e realizada pela comissão local, da presidência do Professor Doutor Manuel José Fernandes Costa, homenagem do povo de Coja agradecido, 28 XII 1952", relembra a sua acção para a concretização do sonho dos cojenses de terem água ao domicílio. Diplomou-se em Farmácia em 1904. De 1911 a 1919 foi deputado pelo círculo de Arganil e em 1921 foi senador pelo distrito de Coimbra. Desde 1911 a 1928 foi Director da Escola de Farmácia e dos Laboratórios de História Natural das Drogas. Em 1919, 1921, deste ano a 1924 e em 1925 foi reitor interino da Universidade de Coimbra. Desempenhou funções como membro da Comissão Administrativa daquela instituição de ensino e da Grande Comissão de Reforma do Ensino Superior de Sidónio Pais. Até 1928 foi membro do Senado Universitário e até 1940 representante da Escola de Farmácia. Foi autor de biografias e diversos livros e sócio de várias instituições. Foi, igualmente, Presidente da Comissão Administrativa da Casa do Povo da vila de Coja, onde faleceu a 27 de Dezembro de 1952 e onde está sepultado, em jazigo. O largo é popularmente designado por Largo do Outão.

JOSÉ VICENTE

CP 3305-110

José Vicente, nasceu em Sobral Valado (Pampilhosa da Serra) no dia 27 de Junho de 1924. Ordenado sacerdote em 29 de Junho de 1948 foi uma das figuras mais proeminentes e acarinhadas da Beira Serra, sendo por esse facto difícil falar deste homem.A sua acção enquanto sacerdote em Coja liga-se à assistência aos mais desfavorecidos, às crianças e aos jovens. A Sopa dos Pobres, as colónias de férias na Praia de Mira, o Património dos Pobres e a Biblioteca D. José Alves Matoso são alguns exemplos concretos dessa acção. No jornalismo, usou o pseudónimo de Gil Duarte para escrever as incontáveis frases que se encontram espalhadas pela comunicação social da região, em especial em A Comarca de Arganil e Jornal de Arganil, do qual foi o primeiro director em Lisboa. A sua primeira missa ocorreu na sua terra natal, em 11 de Julho de 1948. Exerceu sacerdócio em Amoreira (Pampilhosa da Serra), em Coja (onde esteve quase duas décadas), no Lobito (Angola) e São Julião (Lisboa). Já em Lisboa, teve uma acção regionalista de extrema importância, defendendo os interesses das Comissões de Melhoramentos (e outras entidades) dos concelhos de Arganil, Góis e Pampilhosa da Serra. Em 1988 é internado no Hospital de Santa Maria, onde escreveu as suas últimas crónica e onde viria a falecer. Encontra-se sepultado na terra que o viu nascer. A avenida, cuja construção nasceu de um alvitre deste seu epónimo, é popularmente designada apenas por Avenida (ou, também, Avenida da Igreja). Foi autor de biografias e diversos livros e sócio de várias instituições.

NEVES E SOUSA

CP 3305-122

António das Neves Oliveira e Sousa, nasceu a 23 de Novembro de 1844, na vila de Coja. Matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra em 3 de Outubro de 1864, terminando o seu curso a 10 de Junho de 1869, com aprovação de Nemine Discrepante. Exerceu funções como Delegado do Procurador Régio, como Juiz do Supremo e como Governador Civil de Coimbra. Foi nomeado Reitor da Universidade daquela cidade a 18 de Novembro de 1907, tomando posse, em Conselho de Decanos, a 12 de Dezembro desse mesmo ano. Foi Reitor apenas durante mais um ano, até 1908. O Conselheiro Desembargador Neves e Sousa faleceu em Coja a 4 de Agosto de 1921 e encontra-se sepultado, em jazigo, no cemitério local

NEVES PIMENTA

CP 3305-123

Augusto das Neves e Sousa Pimenta nasceu em Coja no início do século passado. Foi Bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra, Delegado do Procurador Régio em Arganil, Juiz do Tribunal da Relação do Porto, do Conselho de Sua Magestade Fidelíssima, entre outros cargos. Casou em 1835 na Capela da Casa da Praça, com D. Maria Miquelina Monteiro Madeira e Azevedo, última administradora dos vínculos de Coja, Pomares e Anseriz. Faleceu em Coja a 15 de Agosto de 1900

MARCOLINO DE ALMEIDA

CP 3305-000

Natural de Mirandela onde nasceu em 1914, Marcolino de Almeida ficou ligado a Coja pelo casamento e sobretudo pela acção na Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Coja, pertencendo ao grupo que constituiu a Comissão Organizadora dos mesmos e sendo o seu 1º Comandante, nomeado a 21 de Março de 1963 e com tomada de posse a 4 de Maio desse mesmo ano. Profissionalmente dedicava-se ao comércio de electrodomésticos. Faleceu em Coja em 1997, localidade onde se encontra sepultado. A sua rua localiza-se no Bairro Social de Coja.

AUGUSTO NUNES PEREIRA

CP 3305-000

Natural da Mata de Fajão, exerceu o sacerdócio em Montemor-o Velho, Coja e Coimbra. Contudo, o seu nome liga-se muito às artes, pictórica e literária, onde tem alcançado elogios merecidos.Em Coja iniciou o que hoje está institucionalizado como Ocupação dos Tempos Livres, ocupando jovens e menos jovens em actividades culturais. A sua obra pictórica, quer em tela, quer em talha, encontra-se espalhado pelo país e estrangeiro, podendo ser admirada também em Coja, nomeadamente na Igreja Matriz. Quanto à sua obra literária, destacam-se publicações históricas, quer em jornais, quer em livro (poesia, ensaio e monografia), no qual "Coja, Princesa do Alva" ocupa um lugar especial na bibliografia de consulta sobre esta vila. Recentemente foi-lhe atribuído o título de Presidente Honorário da Sociedade Recreativa e Progresso da Mata (Fajão).

JAIME SINDE MONTEIRO

CP 3305-148

Nasceu em Coja no dia 28 de Agosto de 1915, onde estudou até à 4ª classe. Cumpriu o serviço militar como voluntário. Iniciou a sua actividade profissional como comerciante aos 20 anos e antes de se estabelecer no Porto, com a actividade de importador e exportador por grosso (onde atingiu grande prestígio internacional na importação de bacalhau e batata), foi comissionista da Havaneza Cojense. Contribuiu com donativos para várias instituições e associações de Coja. Faleceu no Porto em 8 de Abril de 1991

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DESEMB ABEL PEREIRA DO VALE R